Home Studio: ideias de gravação - parte 1

Slash captando o som do violão com 2 microfones.

Estudando bastante, consultando fontes confiáveis e fazendo muitos testes, conseguimos identificar as melhores formas de se realizar uma gravação caseira de maneira eficiente e sonoramente interessante.
Por isso quero passar algumas dicas visando compartilhar estas informações. Além de mostrar exemplos reais de gravação e traduzir e adaptar alguns textos de sites especializados em técnicas de gravação.  


1) Microfone dinâmico ou condensador?
A principal dica é: se o seu home studio possui um isolamento acústico adequado, é óbvio que um condenser vai captar de maneira mais cheia e completa um violão ou uma voz, ao contrário de um mic dinâmico tipo o Shure SM-57, que vai focar em apenas uma direção e não vai captar toda a resposta e os brilhos do que você for gravar. (Embora, muitos usem mics dinâmicos justamente com esta finalidade).
Mas se sua sala (ou quarto) não for acusticamente tratado(a), um microfone condensador pode captar muitos ruídos (da rua, do cachorro latindo, das pessoas nos outros cômodos, do seu pé batendo no chão). Principalmente, se você não tiver um shockmount para o condenser. Neste caso, um SM-57 acaba sendo melhor justamente por captar o som diretamente do que está à frente dele.
E é claro que também é possível somar os dois microfones para um resultado interessante.
Exemplo: um microfone dinâmico bem próximo à 12ª casa do violão, e um condensador na mesma posição, só que afastado um pouco. O dinâmico vai capturar o ataque e clareza das notas, enquanto o condenser vai captar a ambiência, dando mais corpo ao instrumento.
Por isso, considere a ideia de ter uma interface de gravação que possua ao menos duas entradas simultâneas. Eu possuo uma M-Audio M-Track, barata e muito útil, que possui inclusive alimentação phantom power, e monitoração com baixíssima latência.

2) Gravar violão
A principal ideia de se usar um homestudio é registrar demos, ideias, e lampejos musicais, e o violão é o melhor amigo do compositor, pois é pequeno, leve, e fácil de gravar.
Como alguns violões possuem captação elétrica, vejo pessoas gravando o sinal do instrumento captado pelo preamp do próprio violão, e somando (ou não) à captação via microfone.
Eu particularmente não gosto do som do violão em linha, principalmente para bases rítmicas cheias e palhetadas, fica um ataque muito proeminente e raspado. Claro que num dedilhado, fingerstyle ou fazendo batidas com a mão direita sem palheta (estilo bossa nova, MPB, etc), a captação em linha pode favorecer o ritmo, mas é sempre bom e interessante gravar com microfones.
Existem várias e variadas formas de se microfonar o violão. Pode ser um mic dinâmico na 12ª casa, um condenser na mesma posição só que um pouco mais distante, a soma de dois ou mais microfones, um microfone atrás do músico somando com o da frente, etc.
A principal dica é NÃO colocar o microfone diretamente na boca do violão, pois além da microfonia, o que será captado será um grave totalmente embolado e indefinido.

Uma dica incomum é como foi gravada a música By The Sword (Slash): foi posicionado um microfone entre a 12ª casa e a boca do violão angulado em direção às cordas agudas, e outro microfone no mesmo local e distância, porém angulado pra cima captando as cordas mais graves. Depois, foi dado um pan na mesa (um mic para cada canal), de modo que violão soe estéreo e cheio na mix. (fonte: SoundOnSound)
Outra dica bacana para gravar violões é dobrar os canais, seja apenas copiando o que foi gravado e colando em outro canal, separando pelo pan para dar mais profundidade, ou ainda gravando (tocando) novamente o mesmo trecho. Ou seja, se você usar dois microfones (dois canais) para gravar o violão, e depois grava-lo novamente (mais dois canais), terá no total 4 canais onde poderá testar várias equalizações e ajustes para conseguir um som cheio e nítido, e juntar todos estes canais em um bus para facilitar a mixagem depois.


3) Equalização melhora o timbre do que já foi gravado?
Infelizmente, não, meu amigo. Equalização pós gravação serve para ajustar e distribuir frequências. Por exemplo, num violão geralmente se corta 200hz ou mais em vários dBs para tirar aquele grave que embola numa gravação, e até mesmo para não chocar com um baixo ou outro instrumento grave. Mas o timbre do violão já está ali, pronto. Portanto, é sempre bom pesquisar e testar a melhor forma de gravar, e tentar tirar o melhor som natural do instrumento. E o músico precisa tocar de maneira clara e firme, relaxado mas objetivo.


É claro que são apenas dicas, não são regras, não existem regras em gravações.
Até a próxima! 
(Marcelo Donati, agosto 2015)

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