quarta-feira, 13 de abril de 2016

Legião Urbana - Plágios e influências


Pra começar o texto, antes que as pedras comecem a ser miradas em minha pessoa: gosto muito de Legião Urbana, ouvi muito quando jovem, foi importante para minha formação musical e acadêmica - além de músico sou formado em Letras -, então o que pretendo registrar aqui é uma coletânea de observações sobre trechos de músicas que inspiraram a banda de maneira sutil ou descarada.

Segundo, antes de prosseguir, quero lembra-los que atestar plágios e influências escancaradas não diminui a importância da banda, e para exemplificar posso argumentar que uma das maiores e melhores bandas de rock de todos os tempos - o Led Zeppelin - é craque em plágios e chupações. Jimmy Page e cia. realmente passaram a mão em muitos riffs, letras e ideias alheias, mas isso não reduziu a grandeza e importância da banda, pois música é emoção, nem sempre pra dá explicar pela razão.

Renato Russo sempre admitiu que o punk e o pós punk inglês, bem com a New Wave e o chamado rock alternativo sempre visitaram sua vitrola. Em todas as biografias publicadas é inconteste a influência de bandas como Gang of Four, PIL, The Smiths, Sex Pistols, Joy Division, Nick Cave, Ramones, The Cure, Bauhaus, Talking Heads, além de The Beatles e outros clássicos na origem do surgimento do Aborto Elétrico, do Trovador Solitário (projeto solo de Renato) e, claro, da Legião Urbana.

Portanto, ao ouvir algumas dessas bandas citadas com mais atenção é possível encontrar várias referências, várias ideias parecidas (afinal, algumas bandas são contemporâneas da Legião), e porque, não dizer, até alguns plágios. Lembrando que plágio é algo também muito complicado e subjetivo de explicar e entender. Há várias discussões, já houve vários processos na Justiça, com muitas vitórias em vários casos internacionais e famosos, mas ainda assim não existe um 'padrão de verificação' de plágio. Ou seja, vale o bom senso e a pesquisa histórica.

Influências demais?
A música "Quase sem Querer" tem ritmo e dinâmica muito similares a 'Ask' do The Smiths. Inclusive, se já assistiu a algum show mais antigo da Legião, já deve te-lo visto dançando, usando roupas brancas e segurando rosas na mão, tal qual Morrissey fazia nos shows da famosa banda de Manchester. Lembrando que as bandas eram contemporâneas, mas lembrando também que Renato era antenado com tudo que rolava na música mundial.

'Ask' = Influência para 'Quase sem querer'?

A música 'Love is the Drug' do The Cartoons (que é uma versão mais tosca da versão original da Roxy Music de Brian Ferry) possui introdução de baixo idêntica à de 'Ainda é cedo'. Além disso, a guitarra segue os mesmos caminhos esparsos em ambas as músicas.

Indo para o caminho mais escuro do punk, e lembrando da época do Aborto Elétrico, 'Que País é Este' tem seu riff principal que é igualzinho à música 'I Don't Care' dos Ramones).

Além das músicas, caímos também no terreno fértil das letras: Renato assumiu em entrevistas que a Legião se inspirou na letra da música 'Say Hello, Wave Goodbye' (“Take your hands off me / I don’t belong to you”) para criar 'Será' ("Tire suas mãos de mim/ eu não pertenço a você").

O começo da letra de 'Mais do Mesmo' (Ei, menino branco / o que é que você faz aqui?“) parece ser uma adaptação de “hey white boy / what are you doin’ uptown?” da música 'Waiting for the man', do Velvet Underground.

Influenciar também faz parte
E finalmente, para também não só acusar a Legião de falta de criatividade, ou excesso de influências, tomemos como exemplos bandas que criaram algo que remete diretamente às criações da banda. Como por exemplo, a banda Travis na música 'Happy to Hang Around' cuja melodia da introdução remete à Vento no Litoral.
Mas, no caso, Vento no Litoral, também lembra muito a ideia da progressão e o clima soturno de 'Eternal', do Joy Division!



Enfim, é isso. A lista acima pode aumentar, conforme formos investigando e ouvindo mais, e este blog aceita sugestões de outras influências e chupações. Deixe seu comentário!

O Amor de Jesus



"O amor de Jesus / me pôs de pé e me transformou
 O amor de Jesus / me restaurou." (Marcelo Donati)



“E clamaram ao Senhor na sua angústia, e os livrou das suas dificuldades”. (Salmo 107, 6)




quarta-feira, 2 de março de 2016

Review: Ed Motta - Perpetual Gateways (2016)

por: Marcelo Donati

Ed Motta prova sua inquietude musical, sempre buscando incansavelmente ultrapassar as barreiras da música fácil, compondo e gravando em vários estilos musicais, sem querer ficar preso ao funk e pop que marcaram boa parte de sua carreira. E atesta sua competência de, em meios a grandes músicos, fazer bonito e botar todo seu talento à prova.

Acompanho a carreira de Eduardo Motta há algum tempo e posso dizer que as palavras que permeiam sua nau musical são: evolução e liberdade. Nunca preso a modismos nem a rótulos, Ed Motta vem mostrar em Perpetual Gateways, mais uma vez, uma música de gente grande, em referência óbvia ao rótulo AOR - adult oriented rock, título de seu disco anterior. E a música de gente grande agora é acompanhada por músicos de gente grande, como Greg Phillingaines (Michael Jackson, Eric Clapton, Toto) Patrice Rushen, Hubert Laws, e muitos outros kats de estúdio.


A direção estilistica do álbum 'Perpetual Gateways' (LAB, 2016) parece a princípio uma continuação do AOR, como demonstram as primeiras faixas do disco. Mas conforme a audição prossegue, a piscina fica cada vez mais funda, ao aparecerem elementos do jazz, do spiritual jazz, do soul, e das baladas. O disco é dividido em dois 'portões', como fica claro no encarte: o lado soul e o lado jazz. As 5 primeiras músicas trazem a etiqueta soul recheada com vários sabores e cores. E as 5 faixas finais rotuladas simplesmente jazz evocam as várias vertentes do estilo. 

Informações técnicas: O disco foi gravado em Pasadena, California. E lançado no mundo pelo selo Membran / Must Have Jazz. Todas as músicas e letras são de autoria de Ed Motta, que também tocou Rhodes em várias faixas do disco, e foi o arranjador de 9 das 10 músicas.

Sob a produção musical de Kamau Kenyatta, a principal diferença deste para todos os outros discos lançados por Ed, é a ausência total de guitarras. Apesar de, como guitarrista, ter achado um pouco estranha essa ausência no disco, dei mais uma vez voto de confiança para as escolhas do artista tijucano. Que sempre procura surpreender positivamente seus ouvintes.

Introdução feita, passemos a uma análise faixa-a-faixa:

'Captain's Refusal' começa exalando ares de Aja (Steely Dan) em seu começo. O clavinet tocado por Greg Phillingaines dita o ritmo. E o final com várias viradas de bateria de Marvin Smith invoca mais uma vez a canção Aja. Ou seja, Ed não tem medo nem vergonha de explicitar suas referências e influências, mesmo que subjetivas.

O shuffle da bateria e o Rhodes indefectível de Ed Motta delineam a faixa 'Hyponchondriac's Fun'. Os metais relembram o clima do disco anterior (AOR). Um solo monsotr de piano (dá-lhe Greg!) encerra o tema.

Em 'Good Intentions', a voz de Ed se destaca pela potência e amplitude. O baixo de Cecil Mc Bee possui uma frase em loop que hipnotiza o ouvinte. A melodia complexa da parte B evidencia o clima 'parte funda da piscina' e antecipa o solo de piano de Patrice Rushen.

A voz bem na cara (saltando aos ouvidos) comprova a boa forma de Ed em 'Reader's Choice'. Em específico, a dobra da voz na frase 'Privacy' é bem interessante. O solo é feito pelo trumpet de Rickey Woodard.

O baixo e o ritmo de 'Heritage Déjà Vu' lembram a fase do disco Dwitza. E a linha melódica traz de volta os tempos dos 'Manuais'. Faixa dançante mas sem perder o clima sofisticado do álbum. O solo fica a cargo da lady Patrice Rushen. Interessante é que o timbre vintage e anasalado do baixo aparece bem na mix.

Começado o lado jazz do disco, a balada 'Forgotten Nickname' com seu Rhodes vibrando em estéreo é minha predileta até então. Ouvimos esta nos bastidores de um show em 2011, quando Ed gentilmente compartilhou suas ideias pra gente. E só agora a ideia viu a luz do dia e virou este belo tema.
Algo da melodia traz momentos do disco 'Chapter 9', e a voz no refrão é de arrepiar. O baixo acústico de Tony Dumas acompanha a sofisticação do piano de madame Rushen e da flauta do mestre Hubert Laws.

O jazz 'escancarado' de 'The Owner' leva o disco a alguns degraus acima dos meros artistas mortais. Solos de piano e trumpete dignas dos álbuns da fase jazzística de Herbie Hancock.

Há uma urgência na voz de Ed em 'A Town in Flames'. Como bem lembrou meu amigo Magnum Freire Nobre, há um clima do disco 'Aystelum', que foi um dos primeiros discos em que Ed teve coragem de mostrar sua faceta afro jazz,
Apesar do clima tenso e caótico da banda, reina uma clima que remete a um musical evidenciado na melodia do refrão. A cereja do bolo é o solo de flauta de Hubert Laws. E o solo em estéreo de Rhodes vai te deixar hipnotizado se você estiver ouvindo nos fones como eu.

O dueto da voz com os metais em 'I Remember Julie' é ousado, e a letra irônica provoca os hipster e indies. Mas no contexto instrumental, não há espaço para brincadeiras nem ironias. O papo é deep, véi! 

O baixo de Tony Dumas abre os caminhos do tempo composto da música de encerramento, 'Overblown Overweight', e as vozes no refrão são mais uma grata surpresa. Charles Owens (sax) é a outra surpresa. Esta música ganhou um clipe produzido pela tv francesa Culture Box, pelo selo Membran e pelo grupo 'Must Have Jazz'.




segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

David Gilmour no Brasil - eu fui!


Contando um pouco sobre o grande e inesquecível momento de ter assistido ao show de David Gilmour em São Paulo no Allianz Parque em 12 de dezembro de 2015.

Não costumo ir em muitos shows de grande porte, mas não pode deixar de comparecer na primeira vinda do eterno guitarrista do Pink Floyd ao Brasil.

E o show foi simplesmente mágico! A união entre a música e o público criou uma simbiose psicodélica e viajante, com todos cantando TODAS as músicas a plenos pulmões.

Além do espetáculo musical absolutamente perfeito, o show de luzes foi um acontecimento inigualável e inenarrável.

Pra comemorar e celebrar eternamente a data, fiz um quadro com foto tirada no dia do show do Brasil pelo fotógrafo Rafael Aquino de Carvalho, emoldurando junto o ingresso e a pulseira.

O copo da Budweiser também foi exclusivo para cada dia dos shows (já vi no Mercado Livre venderem por R$ 250,00!).

A revista Guitar Player Brasil contendo cobertura exclusiva dos shows do Gilmour no Brasil.

E o kit deluxe do álbum 'Rattle That Lock' contendo DVD, CD, palheta, livretos, poster e muitas fotos é uma forma de eternizar com chave de ouro este momento único de ter visto de perto um dos maiores guitarristas do mundo!

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

10 sugestões de livros


Sem qualquer ordem de importância, fiz uma lista rápida com dez livros que já li e recomendo:

O Dia do Curinga (Jostein Gaarder) - O livro mais famoso deste autor é com certeza 'O Mundo de Sofia', que é geralmente destinado a estudantes ou apreciadores de filosofia. Mas o livro que mais gostei do autor norueguês Jostein Gaarder é sem dúvida 'O Dia do Curinga'. É uma obra fantástica, pois contém uma história dentro da outra, e alterna tanto entre estas histórias que às vezes você não sabe em qual 'livro' está. Só lendo mesmo para entender. Se fosse uma música, seria um rock progressivo tipo uma faixa bem longa do Dream Theater.

O Cortiço (Aluísio Azevedo) - Sei que este é um daqueles sempre citados e requeridos em listas de livros que caem em vestibular, mas não o li por este motivo (li no primeiro ano da faculdade, por prazer, não por obrigação). É uma leitura muito difícil para engrenar por conta da estilística do autor, usando gírias e coloquialismos da época em que foi escrito. Mas, se você conseguir vencer o desafio do vocabulário, vai encontrar um enredo ótimo, uma verdadeira novela, onde há o núcleo pobre, a elite, os pobres que viram ricos e vice-versa. Realmente, é interessante notar a transição das personagens ao longo da história e é por isso que vale tanto a pena.

A Lágrima do Diabo (Jeffery Deaver) - Do autor de 'O Colecionador de Ossos' (outro ótimo romance policial), o que me atraiu foi o estudo da perícia em documentos, o estudo da caligrafia do assassino. Ficção policial com suspense de tirar o fôlego. 

Malu de Bicicleta (Marcelo Rubens Paiva) - Marcelo tornou-se famoso pelo livro 'Feliz Ano Velho', mas esta obra aqui é bem diferente, é uma ficção focada num romance, e tem um final surpreendente! Vale a leitura só pelo grand finale da história.

Noites Tropicais (Nelson Motta) - Leitura deveras prazeirosa para quem gosta de música brasileira e história cultural. O autor, que também escreveu sobre a vida de Tim Maia (livro muito bom também), viveu sempre muito perto da música e do show business, e este livro conta muitas histórias de artistas e movimentos culturais e musicais.

A Revolução dos Bichos (George Orwell) - É uma história clássica, que nos ensina a enxergar a vida e a política através de uma grande metáfora, onde os animais (porcos, cachorros e ovelhas) representam cada classe social. Não é necessário comentar muito, um livro que inspirou o disco 'Dogs' do Pink Floyd merece ser respeitado

Anjos e Demônios (Dan Brown) - Sim, eu li 'O Código da Vinci', mas achei esta história ainda melhor que a obra mais famosa. Os detalhes e as informações reais do Vaticano e de Roma são imperdíveis.

Espião de Deus (Juan-Gomes Jurado) - Baseado ou influenciado de alguma forma na trama de 'Anjos e Demônios', é um policial  que vale a leitura. Trata-se da escolha do papa sucessor a João Paulo II, e muitos mistérios, tramas e assassinatos vão expor a religião católica de um modo mais sombrio.

Gravando! (Phil Ramone) - O produtor Phil Ramone já gravou e trabalhou com muitos artistas famosos. E ele conta, de modo bastante interessante e atraente, várias histórias de bastidores de gravação, de shows famosos, de discos fantásticos, e as manias e características de muitos cantores e músicos. Imperdível pra quem gosta de música e o mundo das gravações.

Leite Derramado (Chico Buarque) - Já havia lido 'A Ópera do Malandro', bem como já li 'Budapeste', e sinceramente acho este aqui o melhor de Chico, uma estilística de gente grande.

Bônus: Entre os muitos livros, acho interesse sugerir uma obra mais recente: 'Vidas Provisórias' de Edney Silvestre.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Donati Produções


Aproveito o blog para anunciar a empresa que montei com meu sócio para a criação de jingles, vinhetas, propagandas e etc.
Um sonho antigo. Um projeto que finalmente consegui tirar do papel.

Sempre mexi com gravações caseiras, criando e gravando ideias, improvisos, solos e músicas de menos de um 1 minuto. Já havia criado também vinhetas para programas de rádios para amigos.
E, agora, contando com a criatividade e talento do meu parceiro Joe (baixista / cantor), colocamos em prática a empresa Donati Produções.

Seguem duas propagandas criadas em meu home studio:




contatos:
14-99688-6111
14-99766-8671

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Phantom Power - O que é e como usar


Phantom Power é uma alimentação de energia DC para microfones e equipamentos que necessitem de energia para funcionar. Em alguns aparelhos é mostrado somente o número +48V, que é a voltagem comum necessária a estes equipamentos.


O exemplo mais conhecido é dos microfones condensadores que requerem phantom power para funcionar. Outros aparelhos que também pode usar phantom power são os DI's (direct boxes). 
A conexão mais comum para ligar estes microfones é através de cabos balanceados XLR (3 pinos). 

Já a maioria dos microfones dinâmicos (como o famoso Shure SM57) não precisam de alimentação phantom, e se o botão phantom da mesa ou interface estiver ligado, eles irão funcionar sem problemas. Estes microfones usam transdutores magnéticos e o sinal deles é 'mais forte', já os condensers (exemplos AKG 420, MXL 440/441, Behringer C1 e B1, Samson C1), que são microfones muito sensíveis, possuem sinal elétrico muito reduzido, e é necessária uma preamplificação. Como o circuito dessa preamplificação fica dentro do microfone, é preciso uma alimentação elétrica, no caso, através do 'poder fantasma' (rs).

Mas geralmente os microfones de fita NÃO devem ser ligados em interfaces com o phantom ligado. Para saber mais, é importante consultar o manual da interface de áudio e dos microfones a serem utilizados.

Algumas dicas para usar phantom power:
Nas mesas de som, geralmente há um botão ou chave para acionamento do phantom em todos os canais. Só deixe ligado esta opção quando de fato houverem microfones que necessitem desta alimentação. Sempre deixe os volumes abaixados antes de acionar a chave phantom.

Nas interfaces de som (e/ou placas de som para computadores) que possuírem chave phantom power, SEMPRE conecte primeiramente os microfones na interface, deixe todos os controles de volume zerados, e só então  acione a chave. Depois dos uso, e antes de retirar os microfones, desligue o botão de phantom primeiro.

Já queimei uma interface de áudio (M-Track da M-Audio) por não seguir estes passos, por isso a dica é de grande valia.

Obs: a imagem de capa da matéria faz alusão ao personagem Fantasma (que em inglês é The Phantom), e explica de certa forma que phantom power é uma 'energia fantasma' que a mesa ou interface 'empresta' aos microfones ou equipamentos que precisem de alimentação.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Palhetas Marcelo Donati


Finalmente, encomendei minhas palhetas personalizadas.
Trabalho muito bem-feito da Gutti Guitar Picks.

Eu já havia criado o desenho e o logotipo há muito tempo, mas nunca havia surgido a oportunidade certa. Recentemente vi o trabalho desta empresa através de alguns amigos, gostei muito, achei o preço justo e pra completar, o serviço e a entrega foram muito rápidas. Então, aí estão!



quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Edson e Tita Lobo (2003) Gosto Tanto

(repostagem do meu antigo blog)
Bom, esse disco em especial será comentado com um carinho maior, haja visto que veio lá do Reino Unido até minhas mãos! Comprei-o no Ebay, e sinto dizer que parece que não foi lançado no Brasil, mesmo sendo de dois artistas nacionais importantes para a boa música brasileira.


Vários motivos nos levam a conhecer um disco. Este Cd do casal Edson Lobo Tita Lobo me interessou primariamente por causa da faixa “Something Divine”, que contém a participação de Ed Motta. Curioso, fui atrás e acabei aquirindo o Cd. E ganhei uma grata surpresa, um disco intimista, mas totalmente lindo, manejado com rigor pelo casal e repleto de convidados ilustres (como o primeiro citado).

A primeira faixa já nos traz o piano do grande João Donato. Isso é sinal de que vem coisa boa por aí. Aliados à bossa cantada languidamente por Tita, os instrumentos parecem dançar junto com a música. Destaque para os solos ocasionais do trompetista Jessé Sadoc. João Donato ainda aparece em muitos temas por todo o disco, assim como o também grande Robertinho Silva.


A segunda faixa, “Something Divine”, como dito antes, destaca o insuperável Ed Motta duetando com Tita. E um clima de funk soul acrescenta-se à musica nitidamente MPB, permeados por uma guitarra sensual e o piano Rhodes dando o tom.
A saber: em quase todas as faixas, Tita, além de cantar, toca violão, enquanto Edson Lobo cuida dos baixos, teclados e todo o suporte harmônico necessário.


Uma faixa a ser destacada pela exímia beleza é “Picuma”, pequena peça instrumental tocada apenas pelo violão de Tita que mostra porque deve ela ser respeitada entre os maestros da bossa nova. Lindo! João Gilberto sorriria orgulhoso… De fato, aqui o nível musical é alto, coisa fina mesmo.


Seja em inglês (como nas doces Miles Away, Stay e Love is All) ou em português (Ainda te Amo, Monalisa, Roda Pião), o disco manda seu recado pro mundo todo (este exemplar que tenho na mão foi prensado na Alemanha e lançado na Europa), de como é possível ainda fazer boa música, interpretada com a alma.


Entre bossas, samba-canções e ritmos suaves, o disco delineia-se imbuído de majestade, mostrando que foi gravado do coração do casal para nossos ouvidos, e não do bolso para as rádios, como muito se ouve por aí.


A tristeza que nós dá é do quase total desconhecimento do público brazuca desta dupla que, embora atualmente seguem estilo de música relacionado ao mercado gospel, gravaram -juntos e separados- discos fantásticos no Brasil da bossa nova e da fina MPB, ao lado de nomes consagrados como Tom Jobim, Stan Getz, Baden Powell, Edu Lobo, Marcos Valle, Chico Buarque, Luis Bonfá e muitos outros.

Edson e Tita Lobo ao lado de Ed Motta (foto: Cris Senna)
Edson e Tita Lobo (2003) Gosto TantoGravadora: Whatmusic.com

Faixas:
01.gosto tanto
02.something divine
03.roda pião
04.love is all
05.paraíso
06.mona lisa
07.stay
08.picumã
09.geriba
10.ainda te amo
11.carioca mexmo
12.miles away.

Músicos: Tita Lobo, Edson Lobo, João Donato, Nando Lobo, Jessé Sadock, Ronaldo Lobo, Ed Motta, Caça Colon, Robertinho Silva, Ricardo Pontes, Marcos Arcanjo, Duduca Fonseca, Célia Vaz, Maucha Adnet, João Paulo Lobo e Jessé Sadock Filho.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Se - Rudyard Kipling

Se 

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!
(Rudyard Kipling, em tradução de Guilherme Almeida)

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Conheci este profundo poema quando ainda era adolescente, em uma página de alguma revista em quadrinhos de super-heróis (talvez The Flash, não me recordo bem). Contextualizada na história em questão, era um tratado sobre a honradez e perseverança, sem esquecer nunca da dignidade, verdade e fé.
Até hoje, persiste como um tratado para a vida, um manual cheio de conselhos generosos para se alcançar a beleza de viver na plenitude da humildade, caráter e confiança.

Para saber sobre o autor e a inspiração para o poema, feito para o filho, siga o link.