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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Pink Floyd e Dr. Estranho

O personagem de HQ Doutor Estranho da Marvel anda em voga atualmente por conta do lançamento do filme agora em 2016.
Por isso, é interessante notar a influência que o personagem (bem como outros nomes dos quadrinhos) traz para o mundo da arte, e da música especificamente.

A capa do segundo álbum do Pink Floyd, A Saucerful of Secrets, lançado em 1968, contém colagens e montagens feitas pelo artista gráfico Storm Thorgerson (da Hipnosis, célebre pelas capas mais icônicas do Floyd e do rock em geral), e várias partes foram retiradas dos quadrinhos Marvel's Strange Tales #158, publicado originalmente em 1967.

A criação da capa não contém os créditos originais dos quadrinhos, aparecendo Doutor Estranho, os planetas e até o Tribunal Vivo (The Living Tribunal), tudo de forma bem sutil e opaca ao lado de outros símbolos, refletindo os gostos e assuntos que rondavam a mente da banda na época.
Mas comparando com a página dos quadrinhos originais (clique na imagem abaixo pra ampliar), é possível ver com clareza a chupação, ops, colagem:
clique na imagem para ampliar

Misturando a capa com o quadrinho original:


Ainda sobre Dr. Estranho e e Pink Floyd: na música Cymbaline (inclusa na trilha sonora do filme More), há uma citação ao personagem na letra:

"Suddenly it strikes you that they're moving into range
And Dr. Strange is always changing size".

Em contrapartida, até como uma homenagem reversa, no filme Doutor Estranho é tocada a música "Interestellar Overdrive".
E, recentemtente, Benedict Cumberbatch, o ator que interpreta o misterioso doutor, cantou "Comfortably Numb" num show de Gilmour, alimentando ainda mais as referências psicodélicas e obscuras, tanto do Pink Floyd quanto de Dr. Strange!

Uma curiosidade sobre o disco 'A Saucerful of Secrets': é o único da banda que contém os cinco integrantes originais tocando, pois marca a fase de transição entre a saída de Syd Barret e a entrada de David Gilmour. Gilmour toca em 3 faixas, e Barret toca em 5 faixas. E o disco tem 7 faixas, ou seja: Gilmour e Barret tocam partes alternadas de guitarra na faixa 'Set the Controls to the Heart of the Sun'!

Pra finalizar, abaixo uma bela versão animada da capa, feita por Alex Stubbe, onde as referências, influências e viagens ficam mais claras:


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Acordes das músicas do disco Perpetual Gateways (Ed Motta)


Eu eu meus cúmplices compadres do Bloptical editamos, há um bom tempo atrás, de modo totalmente independente e gratuito, duas edições do Fakebook Ed Motta, com cifras e detalhes sobre várias músicas do artista tijucano.
Porém, devido a correria e os caminhos de cada um, nunca mais atualizamos o livro com as músicas novas.

Mas eis que o músico Lucas Victoy resolveu botar a mão na massa, transcrever e publicar, em videos no Youtube, várias músicas do disco Perpetual Gateways (Membran, 2016), bem como canções do disco anterior, AOR, e de outras fases da carreira de Ed. Ótima oportunidade de aprender, tocar, e estudar as composições dele!
Fico inclusive com grande vontade de digitar e publicar em PDF as músicas cifradas pelo Lucas. Claro, assim que houver tempo hábil.

Então, como um serviço de utilidade pública, e por adorar ouvir (e tocar) as músicas de Ed Motta, mas sabedor das intricadas harmonias que ele utiliza, mostro abaixo alguns vídeos do Lucas Victoy, e sugiro entrar e se inscrever no canal dele, assistindo os demais vídeos. E utilizo este espaço para agradece-lo imensamente pelo belíssimo trabalho!


Captain's Refusal:


Reader's Choice:

Essa é 1978, do disco AOR:

domingo, 12 de junho de 2016

No ano em que nasci...


No ano em que nasci Peter Frampton ganhava o mundo com seu disco Frampton Comes Alive!. Disco considerado o álbum ao vivo mais vendido de todos os tempos.

No ano em que nasci The Eagles contaram ao mundo a história daquele hotel, com aquele famoso dueto de guitarras entre Don Felder e Joe Walsh.

No ano em nasci Richie Blackmore e Dio lançaram o segundo álbum do Rainbow, considerado o melhor disco de metal de todos os tempos pela revista Kerrang!.

No ano em nasci Djavan marcava sua estreia em disco com o lançamento de 'A voz, o violão, a música de Djavan'.

No ano em que nasci The Crusaders fizeram um antológico show em Montreaux.

No ano em que nasci a banda Kiss queria destruir o mundo com o disco Destroyer.

No ano em que nasci o cantor e guitarrista George Benson colocou nas prateleiras das lojas seu disco Breezin', que flertou com o pop e o colocou como mestre do estilo smooth jazz.

No ano em que nasci Stevie Wonder lançou um dos discos mais importantes de sua carreira, o aclamado 'Songs in the Key of Life' .

No ano em que nasci, surgiu nas telas de cinema o filme The Song Remains the Same ('Rock é rock mesmo', no Brasil), disco que mostrou de perto as facetas e genialidade de Jimmy Page e o Led Zeppelin.

No ano em que nasci, a banda Rush lança seu primeiro disco ao vivo, All The World's A Stage, encerrando a primeira fase da banda canadense.

No ano em que nasci, o Rush lança, em seguida, o disco 2112, um marco na fase progressiva da banda, cuja faixa título tinha mais de vinte minutos de duração.

No ano em que nasci, Paul McCartney gravou com o Wings um dos melhores e mais clássicos álbuns ao vivo de todos os tempos, 'Wings Over America'.

No ano em que nasci e, mais especificamente no dia em que nasci (23 de junho), os mesmos Wings eram os campeões do rádio, pois a música 'Silly Love Songs' era a canção mais tocada das paradas.

No ano em que nasci Chico Buarque agrupa em disco com o título 'Meus Caros Amigos' músicas que compôs para vários filmes, como a própria Meu Caro Amigo e O Que Será (À Flor da Terra) que conta com a voz de Milton Nascimento.

No ano em que nasci a banda Steely Dan lançava o disco The Royal Scam, com várias faixas com a blazing guitar de Mr. Larry Carlton.

Sem falar nos lançamentos de álbuns de Ike White, Rita Lee, Eddie Henderson, Dexter Wansel, Stephen Bishop, Jonny Winter, Scorpions, Grand Funk, Joe Walsh, Jaco Pastorius, Sergio Mendes, Ohio Players, Harvey Mason, David T. Walker, Paulinho da Costa, Doobie Brothers, Eric Clapton, Al Jarreau, Ned Doheny, Bob James, Boz Scaggs, James Vincent, Hyldon, Donald Byrd, Kool and the Gang, Leroy Hutson, Volker Kriegel, Boston, Tommy Bolin, Pat Meheny, Atlantis, Roy Ayers, Elton John, ...



terça-feira, 24 de maio de 2016

The Teachers Pink Floyd Tribute Band - Clube da Esquina, Fartura-SP 21/05/2016


A banda The Teachers tem o hábito de se reunir muitas poucas vezes durante o ano pra fazer shows, seja por dificuldade de reunir todos os 9 membros, seja pela escassez de espaços para tocar.
Mas quero comentar o show que fizemos no dia 21 de maio de 2016 no Clube da Esquina Botequim.
Foi o primeiro show promovido pelo bar, usando o espaço anexo do Planeta Sabor Rotisseria e Eventos (antigo Oak Bier), e apesar de não estar lotado, o bom público pagante curtiu imensamente o repertório com todos os clássicos do Pink Floyd.


Um show memorável a começar pelo som e iluminação, a cargo da Lima Som de Chavantes-SP, que além da qualidade, mostrou o apreço e empenho dos profissionais que entregaram um som absolutamente redondo, o que propiciou a banda focar apenas na música e na interação.


Outro ponto positivo foi o público extremamente cativo, que apreciaram a música e a banda de maneira exemplar, sem brigas, excessos ou descaso. 


E outro fator importante foi o local: o Clube da Esquina Botequim foi inaugurado com a proposta de oferecer pratos e bebidas de ótima qualidade, bem como de incentivar e divulgar a boa música da região. Por isso também, o evento foi coroado de êxito.

Enfim, mais um feliz show para marcar na história da banda The Teachers.




terça-feira, 3 de maio de 2016

40 anos do disco The Royal Scam (Steely Dan)


Neste mês de maio de 2016, completam-se exatas 4 décadas de lançamento de "The Royal Scam", um dos melhores discos da banda Steely Dan, capitaneada com mão de ferro pelo duo Donald Fagen e Walter Becker. Lançado pelo selo ABC Records em maio de 1976 (e relançado pela MCA Records em 1979), o disco alcançou a décima-quinta posição na Billboard na época do lançamento, e também ganhou disco de ouro.

'The Royal Scam' contém alguns clássicos da banda, começando pela primeira faixa, 'Kid Charlemagne', a qual possui solo antológico e inesquecível de Mr. Larry Carlton. 'Don't Take Me Alive', 'Everything You Did'  e a faixa-título são as outras músicas que possuem solo do mestre Carlton'.

Falando ainda em seis-cordas: além de Larry Carlton, a lista de guitarristas que participaram deste disco é invejável:  Denny Dias, Elliott Randall, Dean Parks e, claro, o co-chefe Walter Becker, que faz um belo trabalho na faixa 'The Fez'.

Produzido por Gary Katz, o disco foi gravado com a cozinha altamente técnica de Chuck Rainey (baixo) e Bernard Purdie (bateria). Walter Beck também gravou baixo em algumas faixas e Rick Marotta também tocou bateria. Os teclados ficaram a cargo de Fagen, Don Grolnick, Paul Griffin, e Victor Feldman.

O clima de ironia e sarcasmo, e a incisiva crítica à sociedade fazem-se presentes novamente neste disco, cuja faixa-título relata o problemas dos imigrantes porto-riquenhos que vão para os Estados Unidos atrás do american dream, mas deparam-se com a discriminação e repulsa dos nativos.

Transparece também no álbum a famosa 'rixa' entre o grupo e a banda The Eagles. Na faixa 'Everything You Did', a banda é mencionada de maneira irônica. Em contrapartida, na famosa faixa 'Hotel California' lançada pouco tempo depois pelo The Eagles, há uma sutil citação à banda de Fagen/Backer ("They stab it with their steely knives but they just can't kill the beast"), o que só aumentou os rumores da rivalidade entre as bandas. Mas era só lenda. Timothy Schimdt, que gravou backing vocais neste disco, começou a trabalhar com The Eagles um tempo depois. E o produtor executivo de ambas as bandas era o mesmo (Irving Azoff).

Uma das minhas faixas prediletas, além é claro de 'Kid Charlemagne' é o reggae excêntrico 'Haitian Divorce', com o saboroso solo de talk box de Dean Parks.

O disco The Royal Scam antecede o álbum clássico absoluto, Aja, que foi lançado no ano seguinte, 1977. Mas aí, é outra história...


quarta-feira, 13 de abril de 2016

Legião Urbana - Plágios e influências


Pra começar o texto, antes que as pedras comecem a ser miradas em minha pessoa: gosto muito de Legião Urbana, ouvi muito quando jovem, foi importante para minha formação musical e acadêmica - além de músico sou formado em Letras -, então o que pretendo registrar aqui é uma coletânea de observações sobre trechos de músicas que inspiraram a banda de maneira sutil ou descarada.

Segundo, antes de prosseguir, quero lembra-los que atestar plágios e influências escancaradas não diminui a importância da banda, e para exemplificar posso argumentar que uma das maiores e melhores bandas de rock de todos os tempos - o Led Zeppelin - é craque em plágios e chupações. Jimmy Page e cia. realmente passaram a mão em muitos riffs, letras e ideias alheias, mas isso não reduziu a grandeza e importância da banda, pois música é emoção, nem sempre pra dá explicar pela razão.

Renato Russo sempre admitiu que o punk e o pós punk inglês, bem com a New Wave e o chamado rock alternativo sempre visitaram sua vitrola. Em todas as biografias publicadas é inconteste a influência de bandas como Gang of Four, PIL, The Smiths, Sex Pistols, Joy Division, Nick Cave, Ramones, The Cure, Bauhaus, Talking Heads, além de The Beatles e outros clássicos na origem do surgimento do Aborto Elétrico, do Trovador Solitário (projeto solo de Renato) e, claro, da Legião Urbana.

Portanto, ao ouvir algumas dessas bandas citadas com mais atenção é possível encontrar várias referências, várias ideias parecidas (afinal, algumas bandas são contemporâneas da Legião), e porque, não dizer, até alguns plágios. Lembrando que plágio é algo também muito complicado e subjetivo de explicar e entender. Há várias discussões, já houve vários processos na Justiça, com muitas vitórias em vários casos internacionais e famosos, mas ainda assim não existe um 'padrão de verificação' de plágio. Ou seja, vale o bom senso e a pesquisa histórica.

Influências demais?
A música "Quase sem Querer" tem ritmo e dinâmica muito similares a 'Ask' do The Smiths. Inclusive, se já assistiu a algum show mais antigo da Legião, já deve te-lo visto dançando, usando roupas brancas e segurando rosas na mão, tal qual Morrissey fazia nos shows da famosa banda de Manchester. Lembrando que as bandas eram contemporâneas, mas lembrando também que Renato era antenado com tudo que rolava na música mundial.

'Ask' = Influência para 'Quase sem querer'?

A música 'Love is the Drug' do The Cartoons (que é uma versão mais tosca da versão original da Roxy Music de Brian Ferry) possui introdução de baixo idêntica à de 'Ainda é cedo'. Além disso, a guitarra segue os mesmos caminhos esparsos em ambas as músicas.

Indo para o caminho mais escuro do punk, e lembrando da época do Aborto Elétrico, 'Que País é Este' tem seu riff principal que é igualzinho à música 'I Don't Care' dos Ramones).

Além das músicas, caímos também no terreno fértil das letras: Renato assumiu em entrevistas que a Legião se inspirou na letra da música 'Say Hello, Wave Goodbye' da banda Soft Cell (“Take your hands off me / I don’t belong to you”) para criar 'Será' ("Tire suas mãos de mim/ eu não pertenço a você").

O começo da letra de 'Mais do Mesmo' (Ei, menino branco / o que é que você faz aqui?“) parece ser uma adaptação de “hey white boy / what are you doin’ uptown?” da música 'Waiting for the man', do Velvet Underground. E o final da letra (Todos os doentes estão cantando / Sucessos populares) parece ter sido inspirado pela letra de Poptones, do Public Image Limited ("the cassette played / poptones", [a letra conta a história de alguém que está sofrendo, doente de amor, enquanto a rádio tocava músicas pops]).

Na letra de L'Âge D'Or, Renato Russo cita a banda galesa 'Young Marble Giants'. ("Lá vem os jovens gigantes de mármore"). Renato era tão fã que tinha até uma camiseta pintada com o nome da banda. (Agradecimentos pelas dicas dadas por Ricardo Schott).

Influenciar também faz parte
Para também não só acusar a Legião de falta de criatividade, ou excesso de influências, tomemos como exemplos bandas que criaram algo que remete diretamente às criações da banda. Como por exemplo, a banda Travis na música 'Happy to Hang Around' cuja melodia da introdução remete à Vento no Litoral.
Mas, no caso, Vento no Litoral, também lembra muito a ideia da progressão e o clima soturno de 'Eternal', do Joy Division!

Semelhanças
Existem também as simples coincidências, ou seja, trechos de uma música que lembram outra, matéria que pode ser infinita, dependendo da forma como se ouve e interpreta.
Por exemplo, a introdução de 'Factory of Faith' do Red Hot Chili Peppers me remete à intro de 'Acrilic on Canvas', do disco Dois.


Enfim, é isso. A lista acima pode aumentar, conforme formos investigando e ouvindo mais, e este blog aceita sugestões de outras influências e chupações. Deixe seu comentário!

O Amor de Jesus



"O amor de Jesus / me pôs de pé e me transformou
 O amor de Jesus / me restaurou." (Marcelo Donati)



“E clamaram ao Senhor na sua angústia, e os livrou das suas dificuldades”. (Salmo 107, 6)




quarta-feira, 2 de março de 2016

Review: Ed Motta - Perpetual Gateways (2016)

por: Marcelo Donati

Ed Motta prova sua inquietude musical, sempre buscando incansavelmente ultrapassar as barreiras da música fácil, compondo e gravando em vários estilos musicais, sem querer ficar preso ao funk e pop que marcaram boa parte de sua carreira. E atesta sua competência de, em meios a grandes músicos, fazer bonito e botar todo seu talento à prova.

Acompanho a carreira de Eduardo Motta há algum tempo e posso dizer que as palavras que permeiam sua nau musical são: evolução e liberdade. Nunca preso a modismos nem a rótulos, Ed Motta vem mostrar em Perpetual Gateways, mais uma vez, uma música de gente grande, em referência óbvia ao rótulo AOR - adult oriented rock, título de seu disco anterior. E a música de gente grande agora é acompanhada por músicos de gente grande, como Greg Phillingaines (Michael Jackson, Eric Clapton, Toto) Patrice Rushen, Hubert Laws, e muitos outros kats de estúdio.


A direção estilistica do álbum 'Perpetual Gateways' (LAB, 2016) parece a princípio uma continuação do AOR, como demonstram as primeiras faixas do disco. Mas conforme a audição prossegue, a piscina fica cada vez mais funda, ao aparecerem elementos do jazz, do spiritual jazz, do soul, e das baladas. O disco é dividido em dois 'portões', como fica claro no encarte: o lado soul e o lado jazz. As 5 primeiras músicas trazem a etiqueta soul recheada com vários sabores e cores. E as 5 faixas finais rotuladas simplesmente jazz evocam as várias vertentes do estilo. 

Informações técnicas: O disco foi gravado em Pasadena, California. E lançado no mundo pelo selo Membran / Must Have Jazz. Todas as músicas e letras são de autoria de Ed Motta, que também tocou Rhodes em várias faixas do disco, e foi o arranjador de 9 das 10 músicas.

Sob a produção musical de Kamau Kenyatta, a principal diferença deste para todos os outros discos lançados por Ed, é a ausência total de guitarras. Apesar de, como guitarrista, ter achado um pouco estranha essa ausência no disco, dei mais uma vez voto de confiança para as escolhas do artista tijucano. Que sempre procura surpreender positivamente seus ouvintes.

Introdução feita, passemos a uma análise faixa-a-faixa:

'Captain's Refusal' começa exalando ares de Aja (Steely Dan) em seu começo. O clavinet tocado por Greg Phillingaines dita o ritmo. E o final com várias viradas de bateria de Marvin Smith invoca mais uma vez a canção Aja. Ou seja, Ed não tem medo nem vergonha de explicitar suas referências e influências, mesmo que subjetivas.

O shuffle da bateria e o Rhodes indefectível de Ed Motta delineam a faixa 'Hyponchondriac's Fun'. Os metais relembram o clima do disco anterior (AOR). Um solo monsotr de piano (dá-lhe Greg!) encerra o tema.

Em 'Good Intentions', a voz de Ed se destaca pela potência e amplitude. O baixo de Cecil Mc Bee possui uma frase em loop que hipnotiza o ouvinte. A melodia complexa da parte B evidencia o clima 'parte funda da piscina' e antecipa o solo de piano de Patrice Rushen.

A voz bem na cara (saltando aos ouvidos) comprova a boa forma de Ed em 'Reader's Choice'. Em específico, a dobra da voz na frase 'Privacy' é bem interessante. O solo é feito pelo trumpet de Rickey Woodard.

O baixo e o ritmo de 'Heritage Déjà Vu' lembram a fase do disco Dwitza. E a linha melódica traz de volta os tempos dos 'Manuais'. Faixa dançante mas sem perder o clima sofisticado do álbum. O solo fica a cargo da lady Patrice Rushen. Interessante é que o timbre vintage e anasalado do baixo aparece bem na mix.

Começado o lado jazz do disco, a balada 'Forgotten Nickname' com seu Rhodes vibrando em estéreo é minha predileta até então. Ouvimos esta nos bastidores de um show em 2011, quando Ed gentilmente compartilhou suas ideias pra gente. E só agora a ideia viu a luz do dia e virou este belo tema.
Algo da melodia traz momentos do disco 'Chapter 9', e a voz no refrão é de arrepiar. O baixo acústico de Tony Dumas acompanha a sofisticação do piano de madame Rushen e da flauta do mestre Hubert Laws.

O jazz 'escancarado' de 'The Owner' leva o disco a alguns degraus acima dos meros artistas mortais. Solos de piano e trumpete dignas dos álbuns da fase jazzística de Herbie Hancock.

Há uma urgência na voz de Ed em 'A Town in Flames'. Como bem lembrou meu amigo Magnum Freire Nobre, há um clima do disco 'Aystelum', que foi um dos primeiros discos em que Ed teve coragem de mostrar sua faceta afro jazz,
Apesar do clima tenso e caótico da banda, reina uma clima que remete a um musical evidenciado na melodia do refrão. A cereja do bolo é o solo de flauta de Hubert Laws. E o solo em estéreo de Rhodes vai te deixar hipnotizado se você estiver ouvindo nos fones como eu.

O dueto da voz com os metais em 'I Remember Julie' é ousado, e a letra irônica provoca os hipster e indies. Mas no contexto instrumental, não há espaço para brincadeiras nem ironias. O papo é deep, véi! 

O baixo de Tony Dumas abre os caminhos do tempo composto da música de encerramento, 'Overblown Overweight', e as vozes no refrão são mais uma grata surpresa. Charles Owens (sax) é a outra surpresa. Esta música ganhou um clipe produzido pela tv francesa Culture Box, pelo selo Membran e pelo grupo 'Must Have Jazz'.